Irrigação: o segredo para menos tempo de pastoreio

A irrigação é um elemento que traz uma grande diferença no manejo do pasto de leite rotacionado.

Cada pastoreio que eu faço eu coloco nitrogênio/esterco e irrigo com o IRRIGAT. Em 23 dias já tenho pasto suficiente para o gado entrar de novo na mesma área pastoreada 23 dias atrás. Sem a irrigação demoraria uns 35 dias ou mais”, destaca o produtor de leite Edson Kretchmann, de Cruzeiro do Sul/RS, com 45 vacas em lactação.

Confira mais informações sobre pastoreio, conforme site Milkpoint.

Tratando especificamente de pastejo em sistema de lotação rotacionada, podemos inferir que nada mais é que dividir a área em piquetes de acordo com a forrageira utilizada (número de dias de descanso) e dias de ocupação (tempo que os animais permanecem no piquete). Nos sistemas de produção intensiva, o sistema de pastejo com lotação rotacionada é o mais indicado, por garantir maior uniformidade e eficiência de pastejo. Para tanto, o número de piquetes será em função do período de descanso (PD), que varia de acordo com a espécie forrageira utilizada e do período de ocupação (PO), que pode ser obtido pela equação: Número de piquetes =(PD/PO) + 1. O período de ocupação deve ser com menor duração possível, podendo variar de 1 a 8 dias garantindo assim melhor rebrota das plantas e facilitar o controle da lotação da pastagem.

Como descrito, o período de ocupação está mais relacionado com a espécie animal e o objetivo desta do que outra coisa. Certamente que períodos de ocupação de um dia seria o ideal, pois a forrageira ao ser consumida (pastejada) já começa a rebrotar e desta forma, se o animal voltar a pastejá-la irá com certeza prejudicar sua rebrota prejudicando de certa forma o pastejo do ciclo posterior (chamamos de ciclo de pastejo o tempo no qual o animal demora para voltar a pastejar o mesmo piquete dentro do sistema de piquetes os quais ele se encontra). Ainda, manter um dia de ocupação, favorece que o animal que está pastejando (principalmente gado de leite) se alimente de uma forragem de mesmo valor nutricional ou ainda, explicando de outra forma, se o animal permanecer mais dias no mesmo piquete, um dia ele comerá somente folha (de maior qualidade, maior proteína) e no outro poderá comer além da folha, o colmo da forragem, de menor valor proteico. Para gado de corte isto não é primordial podendo utilizar mais que um dia de ocupação.

Sendo assim, considerando um hectare a ser dividido e, portanto rotacionado, se efetuarmos uma breve conta com 27 dias de descanso e um dia de ocupação, teremos 28 piquetes. Considerando 10000 metros quadrados teremos piquetes de aproximadamente 350 metros quadrados. Também teremos que ter corredores de acesso e por isso os piquetes seriam pouco menores que isso.

Tudo feito e tudo resolvido, mas quantos animais iremos colocar na área? Conta simples a ser realizada. Primeiramente qual produtividade do capim utilizado em função do manejo? Para isso devemos medir a produtividade do capim por área. Devem-se obter a cada área algumas coletas de material e estimar a lotação. Para isso, devemos coletar o capim rente ao solo com uma moldura de área conhecida. Podemos utilizar um metro quadrado, ou seja, uma moldura feita de cano, ferro ou até mesmo de bambu (Figura 1) de dimensões 1×0,5m (meio metro quadrado) ou ainda 1×1 m (1 metro quadrado). Feito isso cortamos toda forragem rente ao solo em pelo menos uns 3 a 5 pontos na área e depois de feito isso, pesamos e multiplicamos este peso por 0,20 (20 % o teor de matéria seca que é o teor médio de matéria seca do capim no ponto ótimo de corte). Logicamente que em cada caso este teor de matéria seca ira ser diferente, mas com a utilização de 20 % já teremos uma grande aproximação da realidade. Existem metodologias especificas e simples para fazer isso.

Feito isto teremos uma produtividade de massa seca pela área coletada. Multiplique esta produção por 0,7 ou 70% (valor que usamos para desconsiderarmos as perdas (30%) e altura de resíduo do capim) e teremos a produtividade média pela área coletada. Assim, extrapolamos para a área toda multiplicando o peso médio de um metro quadrado pelo tamanho do piquete e assim temos a produtividade do piquete (massa seca por dia). Para vermos a lotação, consideramos que uma vaca de leite come por volta de 2,5 a 4 % do peso vivo (de corte ao redor de 1,8%) em massa seca por dia, ou seja, um animal de 500 kg x 3% comerá 15 kg de massa seca por dia. Sendo assim, se o meu piquete produz por dia 150 kg de massa seca, dividindo-se temos uma lotação de 10 animais. Caso nós utilizemos mais dias de ocupação, fica evidente que teremos que dividir a produção daquele piquete pelos dias de ocupação e assim ajustar a lotação. Para tanto, se aumentarmos o número de dias de ocupação, se lembrarmos bem, iremos diminuir o número de piquetes e portanto aumentar a área de cada piquete…segundo a fórmula anterior.

Logicamente tudo é variável a cada caso, mas com certeza desta forma iremos calcular a lotação utilizada. Ainda, (segundo nosso exemplo) se dividimos um hectare por 28 piquetes e um dia de ocupação, teremos que a cada dia, comerá 10 animais sendo rotacionado nos piquetes, ou ainda estes dez animais, irão comer um piquete por dia e quando eles voltarem no primeiro piquete, consideraremos um ciclo de pastejo ou ainda lotação de 10 animais por hectare, em um rotacionado de 1 hectare com 28 piquetes com um dia de ocupação. Somente como exemplo, em uma área de 2 hectares, divididos em 28 piquetes do dobro de tamanho, teremos 20 animais em dois hectares com a lotação de 10 animais por hectare e assim por diante.

Mas, então, qual o tamanho ideal de rotacionado? Devo separar novilhas e vacas, animais a serem abatidos ou afins em outro rotacionado?

A resposta mais simples que comento com as pessoas é que o rotacionado varia de acordo com sua propriedade, sua área, número de animais, ou ainda, o que mais gosto de dizer é que para gado de leite, está relacionado com a média do número de animais por lote (se possível utilizar um rotacionado por lote) e ainda para animais de corte, está inteiramente relacionado com o quanto de animais cabem no seu curral ao mesmo tempo para serem manejados. Enfim, quanto menor for o rotacionado melhor e mais intensivo será o manejo e, portanto, melhor poderá ser, mas já vi o contrário acontecer. Sobre categorias animais, se puder separe por idade, por lotes e ainda principalmente, sem sombra de dúvidas, por espécie.